É com grande prazer que apresentamos uma entrevista exclusiva com a atriz Beatriz Bino, uma talentosa artista da agência Emplacar Você, em nosso blog. Vamos conhecer mais sobre sua trajetória, inspirações e o que a motiva a continuar brilhando nos palcos e nas telas. Nesta conversa, Beatriz compartilha suas experiências, desafios e sonhos que seguem impulsionando sua carreira.
Conte um pouco de você. O que gosta de fazer quando não está atuando?
Olá! Me chamo Ana Beatriz, tenho 23 anos, sou de Belém do Pará e vim para o Rio cursar o Bacharelado em Artes Cênicas na CAL! Eu canto, AMO dançar, sou fluente em inglês e sou ariana. Quando não estou atuando, estou estudando para me aprimorar, trabalhando… Faço assistência de direção para uma peça chamada Sábado, Domingo e Segunda, que estreia em junho na CAL. Costumo dizer que não tenho religião, mas sou religiosa. Adoro praia, sair para conhecer lugares novos, comer coisas gostosas. Gosto de fazer coisas diferentes e de estar sempre conhecendo lugares e pessoas novas. Mas também não abro mão de ficar em casa assistindo filme! Gosto de me desafiar, de sair da zona de conforto e acredito que me saio bem sob pressão. Eu amo comédia, é com o que mais me identifico e gosto de fazer. Inclusive, meu TCC foi uma análise sobre Commedia Dell’Arte em contraponto com o filme O Mentiroso.
Como aconteceu o teatro na sua vida? Como e quando começa sua história com a arte?
Digo que “vim com defeito”. Ninguém da minha família é artista e, no começo, ninguém apoiava. Eu realmente não sei de onde veio esse amor e esse sonho! Só lembro de, desde pequena, ser apaixonada por contar histórias, criar amigos imaginários, me fantasiar, ser outras pessoas e encenar meus filmes favoritos. Eu mesma me alimentei disso. Comecei a pesquisar melhor e com mais seriedade à medida que fui ficando mais velha. Tentei fazer algumas coisas, mas eu morava no interior do Pará, que é uma bolha muito fechada. Nem escola de música tinha no início, não tinha teatro, não tinha nada, nenhum incentivo! Sou a filha mais velha de três irmãos, e a família do meu pai é inteira de médicos, assim como eu deveria ser. Mas, apesar de todas as lutas e obstáculos, eu não conseguia desistir. Até que, depois que acabei o ensino médio, após a pandemia, me mudei para o Rio de Janeiro para fazer faculdade de teatro na Casa das Artes de Laranjeiras, onde descobri um mundo novo, onde me perdi e me encontrei umas 100 vezes! Foi um ciclo lindo e que me ensinou muito, do zero, pois antes disso eu só tinha feito três cursos livres de duas semanas. Foi meu primeiro contato real com o teatro. Inclusive, fui ver minha primeira peça de teatro aqui, depois de começar a faculdade! Então, de onde vem esse amor? Eu não sei… da alma mesmo!
O que mudou na sua vida e rotina quando decidiu viver desse universo? Precisou abrir mão ou interromper alguma coisa?
Precisei abrir mão da minha família. Me mudar para seguir esse sonho deixou a maior parte da minha família muito longe, e isso é uma coisa que pesa muito em mim. Sinto muita falta, e é bem difícil. Precisei me conhecer também. Encarei muitos medos e descobri muitas partes de mim, nem todas boas. Minha rotina mudou completamente, pois entrei pós-pandemia, quando tanta coisa aconteceu na minha vida. Passei realmente dois anos sem ver ninguém, então comecei a viver a vida novamente através do teatro. Também precisei aprender a me cuidar melhor, física e emocionalmente, já que esse processo demandou muito de mim.
Cada papel é um recomeço. Um novo preparo, um novo estudo, um mergulho em uma nova identidade. Como é para você viver esse processo e como encara cada novo projeto?
Eu encaro com muito entusiasmo! Durante esses anos pude ter acesso a vários mestres e métodos, aprendi muito, e cada processo é um presente. Mergulho de cabeça. Gosto muito da psicologia do personagem, de analisá-lo, de dar corpo, de entendê-lo. Amo ensaiar, amo criar e explorar a criatividade. Gosto de trabalhar em conjunto com meus colegas para criar e melhorar relações. Por mim, eu fico oito horas ensaiando! É realmente incrível poder ser e criar outra pessoa. Gosto de pegar um pouco de cada coisa que aprendi e misturar tudo do meu jeitinho, que só eu entendo. Não acredito muito em “só dá pra usar esse método na TV” ou afins. Gosto de mergulhar na história e nos sentimentos que vêm junto. E um novo projeto é um presente. É como começar uma vida nova, que tem data para acabar. Às vezes entro até demais e me dedico tanto que esqueço do resto e me enrolo na vida pessoal. Sou do tipo que sai catando os adereços do personagem aqui em casa, no guarda-roupa de todo mundo. Que anda na rua, olha um sujeito interessante e usa isso no personagem. Que está tomando banho e, do nada, tem uma ideia para a cena. Enfim!
Considera importante que o artista se recicle?
Claro! Afinal, você carrega um pouco de si em cada projeto e personagem. Se você não evolui, aprende, se desafia e estuda coisas novas, como vai conseguir entender e trazer nuances para os seus trabalhos? Como vai conseguir atingir um nível de profundidade e complexidade se não sai do mesmo lugar? E às vezes nem é só sobre reciclagem profissional, mas sobre a vida mesmo, sobre viver, cair e levantar. Afinal, é isso que vai trazer aquele toque que faz toda a diferença no trabalho e fazer com que as pessoas se identifiquem. Sempre dá para melhorar e sempre dá para aprender mais! Inclusive reaprender e revisitar o que você acha que já aprendeu. Eu gosto muito disso e acho importantíssimo. Afinal, a prática leva à “perfeição”.
Do seu primeiro trabalho para cá, como enxerga a sua evolução?
Nem se compara. Quando entrei na faculdade, era quase um feto, na vida profissional e pessoal. Vivi tanta coisa, estudei e aprendi tanta coisa. Pude estar em contato com visões e métodos de ensino diferentes. Dei uma volta de 360 graus, não consigo nem mensurar o tamanho da evolução. Me sinto outra pessoa e outra artista. A real é que descobri minha artista nesse processo. Hoje me sinto mais confiante nas minhas habilidades e na minha capacidade. Hoje sei o que é ter um processo artístico em um projeto e sinto que sei fazer escolhas.
Como enxerga hoje os caminhos que deseja seguir na carreira?
Entrei na CAL com a cabeça certa de que seria atriz de TV, era meu sonho participar de séries e filmes. Porém, o teatro me arrebatou de uma tal forma que hoje não consigo me ver sem ele. Sinto que lá eu aprendo, lá me encontro. É como se fosse casa de vó, um conforto para voltar. Lá tudo é possível e existe a grande satisfação de estar em contato direto com o público. Sinto que hoje meu amor é pelo teatro e pelo cinema/séries, mais do que novela. Óbvio que, como atriz, quero poder fazer e refazer todos. Porém, sempre foi sonho estar em filmes e séries e poder entrar em contato com esse tipo de linguagem, tanto para atuação quanto para a forma de contar histórias. Quero focar mais nisso agora. Mas o teatro sempre estará no meu coração.
Fale dos seus últimos trabalhos.
Meu último trabalho foi uma peça teatral em 2025, O Estranho Caso do Assassinato de Carmen Santiago. Foi um trabalho autoral da diretora e uma experiência que me ensinou bastante, principalmente por ser teatro independente, sem incentivos, então a luta é grande. Fiz uma personagem colombiana, umbandista, empresária, cômica e que descobria que era traída pelo marido. Ela era uma mulher latina, bem extravagante e expansiva, porém tinha um toque de limpeza horrível.
Fora esse, meu penúltimo trabalho foi minha peça de formatura, onde exploramos possibilidades bem teatrais. Fizemos a peça Volpone, onde interpretei uma cachorra, Canina, e uma leoa, Leona. Era uma comédia bem dark, com muitos momentos mais sombrios e muitas críticas, mas sem deixar de ser uma comédia. Foi um trabalho corporal enorme para achar esses bichos, de voz também, para fazer os sons dos animais, além de um estudo aprofundado para conhecer as peculiaridades de cada animal, achar o ponto de encontro com sentimentos e impasses humanos e mesclar tudo isso. Tem muito mais a ver do que a gente imaginava! Foi um trabalho e tanto, enriquecedor, nunca vou esquecer. A resposta do público foi muito positiva!
Já te acharam parecida com alguma atriz, ator, artista ou celebridade?
Cara, nunca me acharam parecida com ninguém e, na verdade, isso me encuca, porque eu super queria ser parecida com uma atriz famosa! kkkkk Mas nunca aconteceu. Ainda estou em busca da minha sósia. Talvez eu tenha que ficar famosa mesmo para as pessoas começarem a se achar parecidas comigo! kkkkkkk
Que personagem gostaria de interpretar?
Personagens cômicos sempre são meus favoritos, mas gostaria de fazer uma vilã realmente MÁ. Também gostaria de encarar uma personagem que tenha algum distúrbio mental forte ou que tenha sido tão impactada por algo que desenvolveu sequelas psicofísicas. Enfim! Gostaria também de interpretar uma traficante kkkkk, não sei… gostaria! Gosto também das personagens sensuais. Apesar das inseguranças, acredito que sempre me encaixo bem.
Projetos futuros?
Gostaria de escrever algo próprio, seja para o teatro, para o audiovisual ou para a internet. Gostaria de colocar minha visão no mundo, me abrir mais e mostrar minhas habilidades. Estou planejando isso. Também penso em investir em uma pós-graduação em direção, foi um caminho com o qual me identifiquei muito na faculdade, para minha surpresa. Gosto muito de imprimir minha visão sobre as coisas, criar cenas e trabalhar com atores em conjunto no processo. Fora isso, quero continuar aprimorando minhas habilidades para o audiovisual e também minhas habilidades extras: canto, dança… e estou me planejando para aprender a tocar piano e violão.
Equipe de Conteúdo Emplacar Você