É com grande prazer que apresentamos uma entrevista exclusiva com a atriz Julia Morales, uma talentosa artista da agência Emplacar Você, em nosso blog. Vamos conhecer mais sobre sua trajetória, inspirações e o que a motiva a continuar brilhando nos palcos e nas telas. Nesta conversa, Julia compartilha suas experiências, desafios e sonhos que seguem impulsionando sua carreira.
Conte um pouco de você. O que gosta de fazer quando não está atuando?
Sou atriz desde os 18 anos. Sou gaúcha e moro no Rio de Janeiro há 20 anos. Danço desde muito nova — já fiz ballet, jazz, sapateado, hip hop, contemporâneo e dança de salão. Hoje em dia não danço profissionalmente, mas não fico parada quando uma música toca. Minha paixão são as máscaras, mas também sou louca por futevôlei. Jogo há quatro anos e é terapêutico para mim.
Fora essas paixões, tenho um grande amor chamado João, meu filho. Ele tem seis anos e é minha dose diária de força e vitalidade. Além dele, tenho um enteado de dez anos. É irmão do meu filho e, portanto, um pouco meu também. Estudei teatro fora do país e falo inglês fluentemente. Sou professora em uma escola bilíngue e dou aulas em inglês. As crianças apresentam adaptações de Shakespeare no teatro todos os anos — é muito gostoso. Eu mesma adoraria atuar em outras línguas. Também falo francês básico e arranho no espanhol, mas isso não coloco no currículo.
Como aconteceu o teatro na sua vida? Como e quando começa sua história com a arte?
Quando cheguei ao Rio de Janeiro, aos 18 anos, meu sonho era dançar profissionalmente. Assim que cheguei, fui chamada para participar da novela Páginas da Vida como dançarina. Lá, a diretora Teresa Lampreia gostou do nosso trabalho e nos sugeriu que buscássemos o DRT para podermos atuar como elenco de apoio. Foi então que descobri um curso de teatro que concedia o DRT em um ano. Me inscrevi. Lembro da primeira semana como se fosse hoje. Encontrei no teatro algo que nem sabia que procurava. As aulas eram o ponto alto do meu dia e eu estava completamente encantada.
No fim da primeira semana, uma amiga disse que já tinha conseguido o DRT para nós e que eu poderia cancelar minha inscrição. Mas já era tarde. O DRT deixou de ser o mais importante — ele só chegou em 2013, ao fim do meu bacharelado na UniverCidade. Eu sempre fui artista. Desde pequena, dançava, criava cenas e coreografias para tudo. Até para apresentar trabalhos de ciências, eu queria fazer teatro. Era algo intuitivo — eu já amava antes mesmo de conhecer. Me expressei pela dança até descobrir que sou atriz.
O que mudou na sua vida e rotina quando decidiu viver desse universo? Precisou abrir mão ou interromper alguma coisa?
Eu não sei se exatamente decidi viver desse universo. Acho que simplesmente não consegui não viver nele. Para viver do teatro, pelo teatro e para o teatro, é preciso muita resiliência. Muita gente vai ficando pelo caminho e a gente vê o cerco se fechar. Trabalhei como hostess em restaurantes, monitora de festas infantis, fiz produção, trabalhei com eventos — até modelo vivo em curso de moda já fui. Fiz o que podia para não parar. Busquei trabalhos que me permitissem estar disponível para ensaios e apresentações. Vendia bolo de pote pela manhã, ensaiava à tarde e à noite trabalhava em restaurante até 1h. Eu era jovem e, apesar da exaustão, tinha um sonho. Hoje vivo muitas coisas que aquela Julia daria tudo para ter. O caminho não foi fácil, mas é meu. Tenho muito carinho por tudo que vivi para chegar até aqui. Até porque sei que ainda é só o começo. Meu sonho me move e eu não vou parar.
Cada papel é um recomeço. Um novo preparo, um novo estudo, um mergulho em uma nova identidade. Como é para você viver esse processo e como encara cada novo projeto?
Sou apaixonada por novos começos. Mergulhar em novas dramaturgias e construir personagens dá sentido à minha vida. Gosto de me aprofundar em cada projeto e extrair todos os aprendizados possíveis. Não entro em nada sem dar 100% de mim — me envolvo de verdade com tudo o que faço.
Considera importante que o artista se recicle?
Considero extremamente importante que o ator esteja sempre exercitando a imaginação e a escuta. É fundamental estar atento ao contexto cultural e dialogar com o mundo ao redor. E, claro, manter-se em constante estudo ao longo da vida.
Do seu primeiro trabalho para cá, como enxerga a sua evolução?
Muita coisa mudou. Meu primeiro trabalho profissional no teatro foi ainda na faculdade — uma experiência incrível, ao lado de profissionais que admiro, inclusive mestres meus.
De lá para cá, passei a me conhecer melhor, adquiri mais ferramentas e desenvolvi minhas próprias técnicas de construção de personagem. No audiovisual, a evolução é ainda mais evidente. Foi um processo de desconstrução de alguns vícios teatrais, além de um aprofundamento no estudo da câmera. Hoje me sinto pronta para encarar trabalhos maiores diante das câmeras.
Consegue escolher o que mais gosta de fazer entre teatro, cinema e TV? De que forma enxerga essas três práticas na sua vida e como concilia tantas atividades?
Venho do teatro e sou apaixonada por ele — especialmente pelo teatro de máscaras, que mexe profundamente comigo. Estudei kathakali na Índia e topeng em Bali, e essa vivência me aproxima ainda mais dessa linguagem.
Por outro lado, o pouco contato que tive com o cinema também foi muito impactante. Acredito que seja possível amar o cinema tanto quanto amo o palco e a sala de ensaio.
Meu ofício, junto com meu filho, é minha prioridade. Seja no palco ou diante das câmeras, coloco toda minha energia na minha arte. Estou sempre ensaiando, apresentando, gravando ou inscrevendo projetos em editais, além das aulas e treinamentos que ministro com a Cia dos Bondrés.
Não vejo essa rotina como pesada — pelo contrário, sinto prazer em conciliar maternidade, teatro e audiovisual. É corrido, faço meus malabarismos, mas acho lindo poder viver meus propósitos.
Fale dos seus últimos trabalhos.
No teatro, estreamos a peça Happy Paradise em novembro do ano passado, com direção de Fabianna de Mello e Souza e texto de Bruce de Araújo.
Também interpreto o personagem de máscara Seu Manguito, na peça Os Guardiões do Mangue, uma parceria da Cia dos Bondrés com a Manguetal, empresa de educação ambiental. O espetáculo percorre escolas e eventos, e é um projeto que me traz muita alegria e orgulho.
Em janeiro de 2026, estive no Crato, na região do Cariri (CE), ministrando uma oficina ao lado de Fabianna de Mello e Souza, no Centro Cultural do Cariri. Foi uma experiência marcante, com apresentação final ao lado do mestre Aécio de Zaira, músico e mascareiro reconhecido no Brasil e no exterior.
A Cia dos Bondrés mantém uma pesquisa contínua em máscaras balinesas, com repertório ativo e apresentações frequentes no Rio de Janeiro, além de São Paulo e Nordeste.
Já te acharam parecida com alguma atriz, ator ou celebridade?
Fico com vergonha de responder, porque realmente não vejo isso. Mas já me disseram algumas vezes que sou parecida com Paolla Oliveira. Também já comentaram que lembro a Thais Fersoza (quando eu estava morena) e a Débora Secco.
Que personagem gostaria de interpretar?
Tenho um sonho que, pela minha idade, talvez só consiga realizar no teatro — e possivelmente no teatro de máscaras. Ainda farei Julieta. É um sonho de infância e já tenho até um esboço do projeto, que vai se chamar Julieta.
Projetos futuros?
Tenho vários projetos com a Cia dos Bondrés: uma nova montagem, a circulação da nossa Batalha de Improvisação de Máscaras pelo Nordeste, um intercâmbio internacional, projetos de manutenção da companhia e até a criação de um festival.
Também seguimos com projetos em parceria com a Manguetal, incluindo uma nova montagem sobre a descoberta das Américas e propostas de circulação com temática ambiental.
No audiovisual, tenho projetos autorais que, por enquanto, devem ir para as redes sociais — um envolvendo máscaras e outro com monólogos em outras línguas.
São muitos projetos lindos, que em breve estarão ganhando o mundo.
Equipe de Conteúdo Emplacar Você