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Bate-papo com Marcelle de Souza

É com grande prazer que apresentamos uma entrevista exclusiva com a atriz Marcelle De Souza, uma talentosa artista da agência Emplacar Você, em nosso blog. Vamos conhecer mais sobre sua trajetória, inspirações e o que a motiva a continuar brilhando nos palcos e nas telas. Nesta conversa,  Marcelle compartilha suas experiências, desafios e sonhos que seguem impulsionando sua carreira.

Conte um pouco de você. O que gosta de fazer quando não está atuando?

Quando não estou atuando, mantenho uma carreira consolidada no jornalismo: trabalho em um grande portal de entretenimento, faço entrevistas com artistas renomados, cubro eventos de premiações e escrevo sobre cultura, celebridades, política e temas relevantes no Brasil e no mundo.

Nos meus tempos livres, sou apaixonada por pedalar — andar de bicicleta é meu esporte e minha pausa para refletir. Além disso, sou de música: vou a qualquer tipo de apresentação que você possa imaginar, de pagode, MPB, ópera a rock. Cuido bastante da minha saúde mental, pratico exercícios e nunca deixei de cantar — foi assim que comecei na arte. Canto desde que entrei para o coral, aos seis anos. Também falo inglês fluentemente, tenho um bom espanhol e arranho um pouco de francês.

Como aconteceu o teatro na sua vida? Como e quando começa sua história com a arte?

Desde muito pequena, eu sempre fui uma criança exibida — basta ver fotos minhas com dois ou três anos, sempre fazendo palhaçada e querendo arrancar risadas. Minha família, embora não fosse de artistas, sempre amou a arte e me apoiou.

Aos seis anos, comecei a cantar no coral da escola e a fazer ballet. Rapidamente me encantei pela música e, aos dez anos, virei solista. Ao mesmo tempo, eu fazia teatro na grade curricular da escola, na Ilha do Governador. Aos doze, entrei para aulas de teatro e estreávamos com musicais. Foi ali que percebi que queria isso para a vida.

Continuei no teatro escolar por três anos, fazendo montagens como A Ópera do Malandro e O Pequeno Príncipe. Depois, foquei na faculdade de Jornalismo e me afastei um pouco do teatro. Porém, em 2022, decidi investir de vez: voltei à CAL, fiz o curso técnico, me formei e agora sigo nessa jornada artística com força total.

O que mudou na sua vida e rotina quando decidiu viver desse universo? Precisou abrir mão ou interromper alguma coisa?

Felizmente, sempre contei com o apoio da minha família, o que sei que é um privilégio. Eles sempre me incentivaram muito. Claro que minha rotina mudou bastante. Tenho um emprego fixo, que exige muita responsabilidade, então precisei me adaptar para estudar teatro de forma intensa — porque não é ir para a aula: é estudar em casa, decorar texto, construir personagem.

A arte ocupa a sua vida inteira; você se torna artista também no cotidiano. Mudei até de bairro, saindo da Ilha para a Zona Sul, para conciliar estudo e trabalho. Ainda estou ajustando essa rotina, mas sou grata por ter um ambiente profissional que me apoia e brinca que um dia eu estarei do outro lado, sendo entrevistada no tapete vermelho. Isso faz toda a diferença.

Cada papel é um recomeço. Um novo preparo, um novo estudo, um mergulho em uma nova identidade. Como é para você viver esse processo e como encara cada novo projeto?

Quando encaro um novo projeto, tudo começa com referências que, por ter estudado arte desde cedo, sempre me vêm à mente. Pesquiso, comparo, mas logo mergulho além. Leio o texto repetidas vezes, buscando entender a psique do personagem.

Criar uma nova identidade é, para mim, relembrar o espírito criativo da infância — imaginar, brincar de ser outra pessoa. Esse processo precisa ser leve, mesmo com desafios. Afinal, a arte é para tocar, provocar, mas também curar.

Sou uma pessoa que estuda e treina muito. Gosto de ensaiar até sentir cada cena de formas diferentes. Com a minha bagagem e treinamentos, cada novo papel se torna um encontro entre estudo e essa criança interior criativa.

Considera importante que o artista esteja sempre em processo de aprendizado?

Eu não gosto muito do termo “reciclar”, porque parece que estamos falando de algo ultrapassado. Um ator é um ser humano, e o ser humano vive e aprende todos os dias. Cada experiência da vida pessoal ou profissional interfere na atuação.

Para mim, o que importa é estar sempre em movimento, aprendendo algo novo. Cursos e workshops ajudam muito, mas até uma sessão de terapia ou uma vivência cotidiana podem transformar o olhar. Não se trata de reciclar, mas de viver, estar atento e incorporar cada aprendizado à nossa arte.

Do seu primeiro trabalho para cá, como enxerga a sua evolução?

Eu adorei essa pergunta, porque no início, embora eu fosse uma criança extrovertida, recebi críticas que me abalaram e me fizeram acreditar que não era boa. Isso me afastou do teatro por um tempo.

Com o tempo, percebi que podia evoluir. Hoje tenho confiança. Voltei ao teatro mais madura, com a bagagem da vida: me formei, tive relacionamentos, enfrentei perdas. Tudo isso me deu maturidade para entender quem sou — e isso se reflete na minha arte.

Evoluí muito: hoje sou formada, estudo técnicas e tenho referências. Não comparação entre aquela criança e a profissional de hoje. Ao mesmo tempo, carrego o mesmo espírito daquela menina que queria mostrar que podia.

Consegue escolher o que mais gosta de fazer entre teatro, cinema e TV?

Comecei no teatro e tenho uma conexão enorme com o palco. Ele é quase sagrado para mim, algo que me transcende. Gosto da imprevisibilidade do teatro: cada dia é uma experiência nova, com o público e o momento influenciando a atuação.

Mas também amo o audiovisual. Ele permite uma intimidade e uma profundidade que o teatro não alcança da mesma forma. Me sinto muito à vontade diante das câmeras e sempre recebi elogios, por isso quero explorar ainda mais esse universo.

Cada formato me ensina algo, e essa mistura é o que me faz crescer como artista.

Fale dos seus últimos trabalhos.

Nos meus últimos trabalhos, estive totalmente mergulhada na CAL, onde me formei, vivendo tanto o teatro musical — que nunca saiu da minha vida — quanto o teatro convencional.

No musical, fiz Fiona em Shrek, um dos papéis mais divertidos que vivi, além de Hair, que carrega uma conexão afetiva enorme comigo desde a adolescência, e trechos de Rent!, Hairspray e Mamma Mia.

No teatro, transitei por desafios muito diferentes: fui Julinda em Suburbano Coração, explorando um tom cômico novo para mim; participei de A Mente Capta, com mais de vinte atores em cena ao mesmo tempo; e mergulhei profundamente na dramaticidade intensa de Veronika Voss, em O Desespero de Veronika Voss, a personagem mais densa que interpretei.

Em Adultério, fui dirigida por Daniel Herz. Eram esquetes conectadas, cheias de camadas sobre sexo, amor, vida e abuso — um trabalho desafiador e muito gratificante. em Detetive, me transformei completamente em Dona Violetta, em um trabalho físico inspirado na commedia dell’arte que me deixou irreconhecível em cena.

Foram experiências que ampliaram minha versatilidade entre comédia e drama e me ajudaram a entender, com mais clareza, quem eu sou como artista. Paralelamente, sigo me preparando para o audiovisual e comecei a gravar um curta de terror que acabou sendo pausado por questões burocráticas, mas que ainda espero ver ganhar vida.

te acharam parecida com alguma atriz, ator ou celebridade?

Na infância, todo mundo dizia que eu parecia com a Bruna Marquezine, acho que por causa dos cachos. Hoje em dia, brincam que eu poderia ser irmã da Sophie Charlotte, e me disseram que tenho algo da Sofia Boutella. Acho que é o queixo! São comparações divertidas.

Que personagem gostaria de interpretar?

Ao longo dos projetos que fiz, mergulhei em personagens femininas intensas, o que me deixou ainda mais fascinada pela complexidade da experiência feminina. Depois de Veronika Voss, fiquei curiosa por papéis ainda mais complexos.

Norma Desmond, de Crepúsculo dos Deuses, e Blanche, de Um Bonde Chamado Desejo, são grandes referências. Mas tenho um carinho especial por Geni, de Toda Nudez Será Castigada, um papel que adoraria explorar por completo.

No musical, meu sonho é dar vida à Terezinha, de A Ópera do Malandro. E, claro, interpretar personagens que eu mesma criei seria a realização de um sonho.

Projetos futuros?

Agora que entrei na Emplacar Você, abri um leque de novas oportunidades que me deixam empolgadíssima. Neste início de ano, retomo o Suco de Brasil, meu projeto sobre cinema nacional. Também quero me aprofundar no audiovisual, gravar mais curtas com amigos que estão com projetos encaminhados. E, no teatro, estou com um grupo dando os primeiros passos para produzir uma peça até o fim do ano.

Equipe de Conteúdo Emplacar Você

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